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Pé diabético: 10 cuidados diários que fazem a diferença

A diabetes pode reduzir a sensibilidade e a circulação nos pés, e uma pequena ferida pode passar despercebida. Estes dez hábitos ajudam a proteger os seus pés.

Por Dra. Liliana Lage Pinto, podologista ·

Quem vive com diabetes ouve muitas vezes que deve “ter cuidado com os pés”. Mas o que significa isso, na prática, no dia a dia? Ao longo do tempo, a diabetes pode afetar os nervos (neuropatia) e a circulação. O resultado é que uma bolha, um calo ou um corte podem não doer e, sem dor, não damos por eles. É por isso que a prevenção é tão importante.

Reunimos os dez cuidados que mais recomendamos na consulta. Nenhum demora mais do que alguns minutos.

1. Observe os pés todos os dias

Escolha um momento fixo, por exemplo ao deitar. Procure vermelhidão, bolhas, cortes, gretas, calos, alterações de cor ou inchaço. Não se esqueça da planta do pé e do espaço entre os dedos. Se tiver dificuldade em ver, use um espelho ou peça ajuda a alguém.

2. Lave com água morna e seque muito bem

Lave os pés diariamente com água morna (não quente) e sabão suave. Teste a temperatura com o cotovelo ou um termómetro, nunca com o pé, porque a sensibilidade pode estar diminuída. Evite banhos de pés prolongados, que amolecem a pele. Seque com cuidado, sobretudo entre os dedos.

3. Hidrate, mas não entre os dedos

A pele seca racha com facilidade, e as gretas são portas de entrada para infeções. Aplique um creme hidratante nos pés, mas não entre os dedos, onde a humidade favorece fungos.

4. Corte as unhas a direito

Corte as unhas a direito, sem arredondar os cantos e sem as deixar demasiado curtas. Se as unhas forem grossas, curvas ou se a sua visão ou sensibilidade não forem as melhores, peça ao podologista para as cortar. Leia também sobre a unha encravada, um problema que com diabetes merece atenção redobrada.

5. Não trate calos por conta própria

Lâminas, tesouras e calicidas são proibidos. Os calos são sinal de pressão excessiva num ponto do pé e, com diabetes, podem esconder uma ferida por baixo. O podologista remove a calosidade em segurança e procura a origem da pressão. Saiba mais sobre calos e calosidades.

6. Nunca ande descalço

Nem em casa, nem na praia, nem na piscina. Uma pedra, uma farpa ou uma superfície quente podem ferir o pé sem que dê por isso.

7. Verifique o interior do calçado antes de calçar

Passe a mão por dentro dos sapatos para detetar pedras, costuras salientes ou objetos esquecidos. Parece exagero, mas é um dos hábitos que mais feridas evita.

8. Escolha bem o calçado e as meias

  • Sapatos com espaço para os dedos, sem costuras interiores, de preferência com atacadores ou velcro para ajustar;
  • Compre sapatos ao fim do dia, quando os pés estão mais inchados;
  • Use sapatos novos de forma gradual, poucas horas de cada vez;
  • Meias sem costuras e sem elásticos apertados, trocadas todos os dias.

Quando há zonas de pressão ou deformidades, podem estar indicadas palmilhas feitas por medida para redistribuir o apoio.

9. Proteja os pés do calor e do frio

Não use botijas, mantas elétricas ou aquecedores encostados aos pés, e não os aproxime da lareira. Com sensibilidade diminuída, uma queimadura pode acontecer sem que se aperceba. Se tiver os pés frios, use meias quentes.

10. Mantenha a diabetes controlada e vá às consultas

Um bom controlo da glicemia, não fumar e mexer-se com regularidade protegem os nervos e a circulação dos pés. E faça pelo menos uma avaliação podológica por ano, ou mais vezes se o risco for maior.

O que avaliamos na consulta do pé diabético: sensibilidade (com testes simples e indolores), circulação, pele, unhas, deformidades, calçado e forma de caminhar. Com base nisso, definimos o seu nível de risco e a frequência das consultas.

Sinais de alarme

Procure ajuda no próprio dia se notar: uma ferida que não cicatriza, pus ou mau cheiro, vermelhidão, calor ou inchaço, mudança de cor da pele (escura ou muito pálida), ou febre. Contacte o seu médico, o SNS 24 (808 24 24 24) ou uma urgência. Não espere pela próxima consulta.

Prevenção também em casa

Para quem tem dificuldade em deslocar-se, fazemos a avaliação e os cuidados regulares ao domicílio. Pessoas mais velhas com diabetes beneficiam muitas vezes de um acompanhamento combinado com a podologia geriátrica. Explicamos tudo sobre o acompanhamento na página do pé diabético.

Tem diabetes e ainda não fez uma avaliação aos pés este ano? Deixe-nos o seu pedido e combinamos consigo a melhor altura. Pedir marcação

Perguntas frequentes

Com que frequência devo ir ao podologista se tiver diabetes?

Depende do risco de cada pessoa, que avaliamos na primeira consulta (sensibilidade, circulação, deformidades, feridas anteriores). Pessoas com risco baixo podem precisar de uma avaliação anual; quem tem risco mais elevado precisa de consultas mais frequentes.

Posso cortar as minhas unhas em casa?

Se tem boa visão, boa sensibilidade nos pés e unhas normais, pode cortar a direito com cuidado. Se as unhas são grossas, encravam com facilidade, ou se tem pouca sensibilidade, é mais seguro fazer o corte no podologista.

Posso usar calicidas ou lâminas para tirar calos?

Não. Os calicidas contêm ácidos que podem queimar a pele e as lâminas causam cortes. Com diabetes, qualquer ferida pode infetar. Os calos devem ser tratados pelo podologista.

Os seus pés em boas mãos

Diga-nos o que precisa. Entramos em contacto consigo assim que possível para combinar dia, hora e local.

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