Saltar para o conteúdo

Podologia infantil

Os pés das crianças mudam muito nos primeiros anos de vida. A maior parte do que preocupa os pais faz parte do desenvolvimento normal, e uma avaliação ajuda a distinguir o que é normal do que merece acompanhamento.

Podologista a observar o pé de uma criança

Porque é que os pés das crianças merecem atenção especial?

O pé de uma criança não é um pé de adulto em miniatura. Ao nascer, grande parte dos ossos ainda é cartilagem, e só no fim da adolescência o pé ganha a forma definitiva. Pelo caminho, a forma do arco, a posição dos joelhos e a maneira de caminhar vão mudando, e muitas dessas mudanças assustam os pais sem razão.

A podologia infantil acompanha este desenvolvimento: tranquiliza quando está tudo dentro do esperado, deteta cedo o que precisa de correção e trata os problemas comuns da pele e das unhas. É uma área a que a Dra. Liliana dedica especial atenção, como mestre em Podiatria Infantil.

O que é normal em cada idade

  • Primeiros passos (9–18 meses): a criança anda com as pernas afastadas, os braços no ar e cai muito. O pé parece plano por causa de uma almofada de gordura na planta. Tudo isto é normal.
  • Dos 2 aos 3 anos: são comuns as pernas "em arco" (joelhos afastados), que tendem a endireitar sozinhas. Podem também andar com os pés ligeiramente para dentro.
  • Dos 3 aos 6 anos: é a vez dos joelhos "para dentro" (valgo), por vezes bem visíveis por volta dos 4 anos. O arco plantar começa a formar-se.
  • A partir dos 7–8 anos: o alinhamento das pernas aproxima-se do adulto e a marcha fica mais estável e eficiente.

Cada criança tem o seu ritmo. O que conta é a evolução ao longo do tempo, a simetria entre os dois lados e a ausência de dor.

Situações que avaliamos com frequência

Pé plano

Distinguimos o pé plano flexível, em que o arco aparece quando a criança se põe em bicos de pés e que é quase sempre uma fase normal, do pé plano rígido ou doloroso, que precisa de investigação e acompanhamento.

Andar em bicos de pés

É habitual nos primeiros meses de marcha. Se persistir depois dos 2–3 anos, se a criança não consegue apoiar o calcanhar quando lhe pedimos, ou se só acontece de um lado, deve ser avaliada. Em alguns casos está associada a encurtamento do tendão de Aquiles e pode ser útil articular com o pediatra ou o fisioterapeuta.

Pés para dentro ou para fora

Andar com as pontas dos pés para dentro (intoeing) pode ter origem no pé, na perna ou na anca. Na maioria das crianças melhora com o crescimento; observamos a origem e acompanhamos a evolução para perceber se é necessário intervir.

Joelhos valgos ou varos

Joelhos para fora nos primeiros anos e para dentro na idade pré-escolar fazem parte do desenvolvimento. Ficamos atentos quando a alteração é muito marcada, assimétrica ou se mantém depois dos 8 anos.

Dor no calcanhar em crianças ativas

Entre os 8 e os 14 anos, crianças que fazem muito desporto podem ter dor no calcanhar por inflamação da zona de crescimento (doença de Sever). Costuma resolver-se com ajuste da atividade, calçado adequado e, por vezes, palmilhas temporárias.

Pele e unhas

As crianças também têm unhas encravadas (muitas vezes por cortes demasiado curtos ou calçado pequeno) e verrugas plantares, que apanham com facilidade em piscinas e balneários. Ambas se tratam com técnicas adaptadas à idade e ao conforto da criança. O pé-de-atleta também pode surgir, sobretudo em adolescentes que fazem desporto.

Como decorre a consulta

1. Conversa com os pais

Perguntamos como foi o desenvolvimento motor, desde quando notam aquilo que os preocupa, se há dor, quedas ou cansaço, e que atividades a criança faz.

2. Observação em brincadeira

Vemos a criança descalça, de pé, a caminhar e, quando possível, a correr ou a pôr-se em bicos de pés. Avaliamos a flexibilidade das articulações e o alinhamento das pernas, de forma descontraída, para que a criança se sinta à vontade.

3. Análise do calçado

Os sapatos que a criança usa no dia a dia mostram muito: onde gastam, se são do tamanho certo e se ajudam ou dificultam a marcha.

4. Explicação e plano

Explicamos aos pais o que observámos, numa linguagem clara. Muitas vezes a conclusão é que está tudo dentro do normal e basta vigiar. Quando é preciso intervir, o plano pode incluir exercícios, conselhos de calçado, palmilhas por medida ou um estudo da marcha mais detalhado.

5. Acompanhamento

Como o pé está sempre a crescer, marcamos revisões periódicas para confirmar que a evolução é a esperada e ajustar o que for necessário.

Dica para os pais: deixe a criança andar descalça em casa e em superfícies seguras como relva ou areia. Ajuda a fortalecer os músculos do pé e a desenvolver o equilíbrio.

Calçado infantil: o essencial

  • Tamanho certo: cerca de 1 cm livre à frente do dedo maior. Meça os pés ao fim do dia e com as meias que a criança vai usar.
  • Flexível à frente, firme atrás: a sola deve dobrar na zona dos dedos e o contraforte deve segurar bem o calcanhar.
  • Leve e com bom aperto: atacadores ou velcro, para o pé não deslizar dentro do sapato.
  • Revisão frequente: até aos 3 anos o pé pode crescer um número em poucos meses. Confirme o tamanho regularmente.
  • Evite calçado usado por outra criança e chinelos ou sandálias sem apoio no calcanhar para uso prolongado.

Quando procurar ajuda

Marque uma avaliação se a criança se queixa de dor nos pés ou nas pernas (sobretudo se a acorda à noite), cai ou tropeça mais do que as outras crianças da mesma idade, cansa-se muito depressa a andar, tem diferenças visíveis entre os dois pés ou pernas, gasta o calçado de forma muito irregular ou continua a andar em bicos de pés depois dos 3 anos.

Se a criança deixar de apoiar um pé, coxear de repente ou tiver dor com inchaço, calor ou febre, procure observação médica no próprio dia.

A informação desta página é geral e não substitui uma avaliação presencial. Cada caso é analisado em consulta.

Perguntas frequentes

Com que idade devo levar o meu filho ao podologista?

Não há uma idade obrigatória. Uma primeira avaliação faz sentido quando a criança já anda com segurança (por volta dos 3 a 4 anos), ou mais cedo se notar algo que preocupe: quedas frequentes, dor, andar sempre em bicos de pés ou diferenças entre um pé e o outro.

O pé plano na criança tem de ser tratado?

Na maioria dos casos não. Até aos 5 ou 6 anos é normal o pé parecer "chato", porque o arco ainda se está a formar. Só se justifica intervir quando o pé plano é rígido, causa dor ou cansaço, é muito acentuado ou diferente entre os dois lados.

As crianças precisam de palmilhas?

Só quando há uma razão clínica clara. Palmilhas não "fazem o arco" num pé que se está a desenvolver normalmente. Quando são indicadas, são feitas por medida após avaliação e revistas com regularidade, porque o pé cresce depressa. Saiba mais sobre palmilhas por medida.

É normal o meu filho andar com os pés para dentro?

Em crianças pequenas é muito frequente e, na grande maioria, corrige-se sozinho com o crescimento. Vale a pena avaliar se é muito acentuado, se a criança tropeça muito, se só acontece de um lado ou se persiste depois dos 8 anos.

Que calçado devo escolher para uma criança?

Calçado leve, flexível na zona dos dedos, com contraforte (parte de trás) firme, sola antiderrapante e cerca de 1 cm de folga à frente do dedo maior. Evite reaproveitar sapatos já usados por outra criança, porque ganham a forma do pé de quem os usou.

Os seus pés em boas mãos

Diga-nos o que precisa. Entramos em contacto consigo assim que possível para combinar dia, hora e local.

Pedir marcação
Precisa de ajuda?