O que é a podologia desportiva?
A podologia desportiva dedica-se aos pés de quem pratica atividade física, seja em competição ou por lazer. O objetivo é duplo: tratar lesões que já existem e prevenir que apareçam, analisando a forma como o pé apoia, o calçado e o tipo de treino.
Corrida, futebol, padel, ténis, basquetebol, dança, trail ou caminhada: cada modalidade coloca exigências diferentes sobre os pés, e o plano é adaptado a isso.
Lesões e queixas mais comuns
Fascite plantar
Dor na parte de baixo do calcanhar, típica nos primeiros passos da manhã ou depois de estar sentado, que alivia ao aquecer e volta no fim do dia. Surge por sobrecarga da fáscia plantar e está muitas vezes ligada a aumentos rápidos de treino, calçado gasto ou alterações do apoio.
Tendinopatia de Aquiles
Dor e rigidez na parte de trás do tornozelo, por vezes com espessamento do tendão. Aparece com frequência em corredores que aumentam o volume ou a velocidade, ou que mudam para calçado com menos amortecimento no calcanhar.
Metatarsalgia
Dor na parte da frente da planta do pé, junto à base dos dedos. Está associada a impacto repetido, calçado pouco protetor ou excesso de pressão sobre certas zonas do pé.
Bolhas, calos e unhas negras
Problemas pequenos que estragam um treino ou uma prova. Resultam de fricção e pressão: meias inadequadas, calçado do tamanho errado ou atacadores mal ajustados. Tratamos calos e calosidades e ajudamos a eliminar a causa.
Infeções da pele e das unhas
Balneários, duches partilhados e pés húmidos dentro das sapatilhas favorecem o pé-de-atleta, a micose das unhas e as verrugas plantares. Os traumatismos repetidos também facilitam as unhas encravadas.
Entorses de repetição e outras dores
Torções frequentes do tornozelo, dor na canela ou queixas nos joelhos podem estar relacionadas com a forma de apoiar o pé. Nestes casos, a avaliação biomecânica ajuda a perceber a ligação.
Como trabalhamos
1. História desportiva
Perguntamos que modalidade pratica, quantas vezes treina, que alterações recentes fez ao treino ou ao calçado e quando começou a dor. É frequente a lesão coincidir com uma mudança.
2. Exame do pé e da marcha
Avaliamos a mobilidade das articulações, a força, os pontos de pressão e a forma como apoia o pé parado, a caminhar e, quando relevante, a correr. Se for necessário um olhar mais detalhado, fazemos um estudo biomecânico da marcha.
3. Análise do calçado
Observamos as sapatilhas que usa nos treinos: o desgaste da sola, o estado da entressola, o tamanho e a adequação ao seu tipo de pé e modalidade.
4. Tratamento
Conforme o caso, pode incluir tratamento de calos, bolhas ou unhas, ligaduras funcionais, proteções em silicone, conselhos de alongamento e fortalecimento e, quando indicado, palmilhas por medida pensadas para o seu desporto.
5. Regresso ao treino
Ajudamos a planear um regresso progressivo, para que a lesão não volte. Quando faz sentido, articulamos com o seu médico, fisioterapeuta ou treinador.
Dica: traga para a consulta as sapatilhas com que treina e, se possível, um par antigo. O desgaste da sola conta uma parte importante da história.
Cada modalidade, um pé diferente
O tipo de esforço muda as zonas do pé mais sujeitas a lesão. Por isso, a avaliação e os conselhos têm sempre em conta o desporto que pratica.
- Corrida de estrada: impacto repetido milhares de vezes por treino. As queixas mais comuns são fascite plantar, tendinopatia de Aquiles, metatarsalgia e dor na canela. A progressão do volume e o estado das sapatilhas fazem muita diferença.
- Trail e caminhada de montanha: terreno irregular e descidas longas aumentam as entorses, as bolhas e as unhas negras. O ajuste do calçado à frente e o aperto dos atacadores são decisivos.
- Futebol, padel e ténis: arranques, travagens e mudanças bruscas de direção sobrecarregam a parte da frente do pé e os tornozelos. As chuteiras e o calçado de padel costumam ser justos, o que favorece calos e unhas encravadas.
- Basquetebol e voleibol: os saltos repetidos exigem muito do tendão de Aquiles e da fáscia plantar, e as receções ao solo aumentam o risco de entorse.
- Dança e ginástica: muitas horas descalço ou em sapatilhas finas, posições extremas do pé e grande carga sobre os dedos e as unhas.
- Ginásio e treino funcional: o calçado é muitas vezes pouco adequado ao tipo de exercício, e saltos ou corrida em passadeira podem provocar sobrecarga sem darmos conta.
Seja qual for a modalidade, o princípio é o mesmo: perceber onde está a sobrecarga e porquê, e ajustar o que for possível: técnica, carga, calçado ou apoio do pé.
Como escolher calçado desportivo
- Específico para a modalidade: sapatilhas de corrida, de padel ou de futebol têm construções diferentes por boas razões.
- Com espaço à frente: cerca de um dedo de folga, porque o pé incha durante o esforço e desliza nas descidas.
- Experimente ao fim do dia e com as meias que usa para treinar.
- Mudanças graduais: se mudar para calçado muito diferente (com menos amortecimento ou menos desnível), faça a transição aos poucos.
- Meias técnicas, sem costuras e que absorvam a humidade, reduzem bolhas e infeções.
Prevenção no dia a dia
- Aumente o volume ou a intensidade de treino de forma progressiva.
- Inclua exercícios de fortalecimento dos pés e das pernas na rotina.
- Corte as unhas a direito e não demasiado curtas.
- Seque bem os pés depois do banho e use chinelos em balneários e piscinas.
- Não ignore uma dor que se repete em todos os treinos: quanto mais cedo for avaliada, mais simples é o tratamento.
Quando procurar ajuda
Marque consulta se a dor no pé ou no tornozelo dura mais de uma ou duas semanas, aparece sempre no mesmo momento do treino, o obriga a mudar a forma de correr ou não melhora com descanso. Também é uma boa ideia fazer uma avaliação antes de começar a correr, de preparar uma maratona ou de mudar de modalidade.
Se sentir um estalo seguido de dor intensa, não conseguir apoiar o pé ou notar inchaço e deformação depois de uma queda, procure observação médica no próprio dia.
A informação desta página é geral e não substitui uma avaliação presencial. Cada caso é analisado em consulta.