Porque é que os pés mudam com a idade?
Ao longo dos anos, a almofada de gordura da planta do pé fica mais fina, a pele perde elasticidade e hidratação, as unhas crescem mais devagar e tornam-se mais grossas, e as articulações ficam mais rígidas. A isto juntam-se, com frequência, problemas de circulação, diabetes, artrose ou dificuldade em chegar aos pés.
O resultado são queixas que parecem pequenas mas que mudam o dia a dia: dor ao calçar, medo de andar e menos vontade de sair de casa. A podologia geriátrica trata estes problemas com cuidado e ajuda a pessoa a manter-se ativa e segura.
Problemas mais frequentes
Unhas espessas e deformadas
As unhas podem ficar muito grossas, amareladas e curvas. Em casos avançados, ganham forma de "garra" (onicogrifose). Ficam impossíveis de cortar com um corta-unhas comum e fazem pressão dentro do sapato. Muitas vezes há também micose das unhas associada.
Unhas encravadas
Com unhas mais curvas e cortes difíceis, as unhas encravadas são comuns e podem infetar com facilidade quando a circulação está diminuída.
Calos e calosidades
Dedos em garra, joanetes e a perda da almofada plantar criam zonas de pressão onde se formam calos e calosidades dolorosos, que podem chegar a ulcerar por baixo.
Pele seca e gretas
A pele dos calcanhares fica seca e abre gretas que doem e são uma porta de entrada para infeções.
Diabetes e má circulação
Nestas situações, uma ferida pequena pode passar despercebida e complicar-se. A vigilância regular é essencial. Saiba mais sobre cuidados ao pé diabético.
Instabilidade e quedas
Dor nos pés, calçado inadequado, perda de sensibilidade e alterações na forma de caminhar aumentam o risco de queda, uma das principais causas de perda de autonomia nas pessoas mais velhas.
Como trabalhamos
1. Avaliação completa
Conversamos sobre a saúde geral, os medicamentos e as dificuldades do dia a dia. Observamos a pele, as unhas e as deformidades, e avaliamos a sensibilidade e a circulação dos pés.
2. Tratamento das unhas
Cortamos e reduzimos a espessura das unhas com instrumentos próprios, sem dor. Tratamos cantos encravados e protegemos zonas sensíveis.
3. Calos, calosidades e pele
Removemos as calosidades de forma segura e indolor e tratamos gretas e pele seca. Na quiropodia estes cuidados são feitos com material esterilizado e técnica clínica.
4. Proteção e alívio de pressões
Quando necessário, usamos proteções em silicone ou feltro para os dedos e, em alguns casos, palmilhas por medida que distribuem melhor o peso e dão mais estabilidade.
5. Conselhos para casa e para o cuidador
Explicamos como hidratar a pele, como vigiar os pés e que calçado escolher. Sempre que possível, envolvemos familiares ou cuidadores, e combinamos a periodicidade das consultas.
Consultas ao domicílio
Para quem tem mobilidade reduzida, está acamado ou depende de terceiros para se deslocar, a consulta pode ser feita em casa ou no lar. Levamos todo o material necessário, esterilizado, e o tratamento é o mesmo que seria feito na clínica, com a vantagem de a pessoa estar no seu ambiente e de podermos ver o calçado e a casa onde se movimenta.
Saiba como funcionam as consultas ao domicílio.
Dica para familiares: aproveite o banho para olhar para os pés do seu familiar, incluindo entre os dedos e a planta. Feridas, bolhas, zonas vermelhas ou mudanças de cor devem ser avaliadas cedo.
Sinais a vigiar em casa
Entre consultas, a pessoa ou quem cuida dela pode ajudar muito ao olhar para os pés todos os dias. Com a idade, a sensibilidade diminui e alguns problemas não dão dor até estarem avançados. Esteja atento a:
- Mudanças de cor: zonas muito vermelhas, roxas, pálidas ou escuras, sobretudo nos dedos e no calcanhar.
- Mudanças de temperatura: um pé muito mais frio ou mais quente do que o outro.
- Inchaço nos pés ou nos tornozelos, especialmente se for novo ou apenas de um lado.
- Feridas, bolhas ou gretas, mesmo que pequenas e sem dor.
- Unhas que mudam de cor, ficam mais grossas ou começam a ferir a pele à volta.
- Pele entre os dedos branca, húmida ou a descamar, que pode indicar pé-de-atleta.
- Mudanças na forma de andar: arrastar os pés, passos mais curtos ou apoiar-se mais nos móveis.
Se tiver dificuldade em ver a planta do pé, um espelho no chão ajuda. Qualquer alteração que não melhore em poucos dias deve ser mostrada ao podologista ou ao médico.
Prevenir quedas começa pelos pés
- Calçado fechado e seguro, com sola antiderrapante e que segure bem o calcanhar. Evite chinelos abertos e pantufas largas.
- Tamanho certo e espaço para os dedos, sem pontos de pressão.
- Unhas e calos tratados: andar com dor faz mudar a forma de caminhar e aumenta o desequilíbrio.
- Pés hidratados diariamente, sem pôr creme entre os dedos.
- Atividade regular, como caminhar ou exercícios simples de equilíbrio e de mobilidade dos tornozelos.
- Em casa, retire tapetes soltos e garanta boa iluminação, sobretudo à noite.
Quando procurar ajuda
Marque consulta se não consegue cortar as unhas em segurança, se tem dor ao calçar ou ao andar, calos que voltam sempre, gretas nos calcanhares, ou se notou alterações na cor ou na temperatura dos pés. Pessoas com diabetes, má circulação ou que tomam anticoagulantes beneficiam de cuidados regulares e não devem tratar calos ou unhas em casa.
Se notar uma ferida que não cicatriza, um dedo escuro ou frio, inchaço com calor e vermelhidão, ou febre, procure observação médica no próprio dia.
A informação desta página é geral e não substitui uma avaliação presencial. Cada caso é analisado em consulta.