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Onicocriptose

Unha encravada

Uma das razões mais frequentes para procurar um podologista. Na maioria dos casos resolve-se numa só consulta e, com os cuidados certos, não volta.

Dedo grande do pé com unha encravada, pele vermelha e inflamada junto ao bordo da unha

O que é uma unha encravada?

A unha encravada (em linguagem técnica, onicocriptose) acontece quando o bordo lateral da unha cresce para dentro da pele que a rodeia. Esse pedaço de unha funciona como uma pequena farpa: pica, inflama e, se não for tratado, pode infetar.

Afeta sobretudo o dedo grande do pé (hallux) e surge em qualquer idade, mas é especialmente comum em adolescentes, desportistas e pessoas que passam muitas horas de pé ou com calçado fechado.

Sinais e sintomas

A unha encravada costuma evoluir por fases. Quanto mais cedo for tratada, mais simples é o tratamento.

  • Fase inicial: dor ao pressionar o canto da unha ou ao calçar, ligeira vermelhidão e inchaço.
  • Fase de infeção: a dor aumenta, a pele fica quente e brilhante e pode aparecer pus ou mau odor.
  • Fase crónica: forma-se tecido de granulação, uma "carne" vermelha e saliente que sangra com facilidade e cobre parte da unha.

Porque acontece?

Raramente há uma só causa. Na consulta procuramos perceber o que levou a unha a encravar, porque é isso que evita que o problema se repita:

  • Corte incorreto das unhas: cortar demasiado curto ou arredondar os cantos é a causa mais frequente.
  • Calçado apertado ou de bico estreito, que empurra a pele contra a unha.
  • Forma da unha: unhas muito curvas ("em telha" ou em pinça) têm mais tendência a encravar, e esta característica pode ser hereditária.
  • Traumatismos, como pancadas, pisões ou o impacto repetido em desportos como o futebol e a corrida.
  • Transpiração excessiva, que amolece a pele e facilita a entrada da unha.
  • Alterações na forma de caminhar ou no apoio do pé que aumentam a pressão sobre o dedo.

Como tratamos a unha encravada

O tratamento é adaptado à fase em que a unha se encontra e à história de cada pessoa.

1. Avaliação

Observamos a unha, a pele à volta, o calçado e, se necessário, a forma como apoia o pé. Em pessoas com diabetes ou problemas de circulação, avaliamos também a sensibilidade e a circulação antes de qualquer procedimento.

2. Remoção da espícula

Com instrumentos esterilizados, retiramos com precisão o fragmento de unha que está a ferir a pele. É um procedimento rápido e, na maioria dos casos, o alívio é imediato. Se houver muita dor, pode ser feito com anestesia local.

3. Tratamento da inflamação e da infeção

Limpamos e desinfetamos a zona, aplicamos o penso adequado e explicamos os cuidados a ter em casa nos dias seguintes. Se houver sinais de infeção que justifiquem medicação, orientamos para avaliação médica.

4. Correção e prevenção

Em unhas com tendência a encravar, podem ser usadas técnicas de reeducação ungueal (como ortonixia, com dispositivos que ajudam a unha a crescer com uma curvatura mais plana) ou pequenas proteções de silicone que afastam a pele da unha.

5. Cirurgia ungueal, quando necessária

Quando a unha encrava repetidamente, a solução mais duradoura pode ser uma pequena cirurgia que remove apenas o bordo lateral da unha e a respetiva raiz (matricectomia parcial). É feita com anestesia local, em ambulatório, e a pessoa vai para casa a caminhar.

Dica: traga para a consulta o calçado que usa com mais frequência. Muitas vezes é ali que está parte da explicação.

Como prevenir

  • Corte as unhas a direito, sem arredondar os cantos, e não demasiado curtas: a unha deve acompanhar a ponta do dedo.
  • Use uma lima para suavizar arestas em vez de cortar os cantos.
  • Escolha calçado com espaço para os dedos, sobretudo para desporto e para quem passa muitas horas de pé.
  • Mantenha os pés limpos e secos, e troque de meias diariamente.
  • Se as unhas forem muito curvas ou grossas, peça ao podologista para as cortar regularmente.

Quando procurar ajuda

Marque consulta se a dor dura mais de dois ou três dias, se vê pus, vermelhidão a alastrar ou "carne" a crescer sobre a unha, ou se o problema já apareceu antes. Pessoas com diabetes, má circulação ou defesas diminuídas devem procurar ajuda logo aos primeiros sinais.

Se tiver febre, vermelhidão a subir pelo pé ou dor muito intensa, procure observação médica no próprio dia.

Também tratamos unhas encravadas em crianças e adolescentes e, para quem não se pode deslocar, ao domicílio.

A informação desta página é geral e não substitui uma avaliação presencial. Cada caso é analisado em consulta.

Perguntas frequentes

Posso tratar uma unha encravada em casa?

Numa fase muito inicial, sem inflamação, pode aliviar com banhos de água morna, calçado largo e mantendo a zona limpa e seca. Não tente cortar o canto da unha "em bico" nem escavar a pele: é a forma mais comum de agravar o problema. Se a dor persistir mais de dois ou três dias, ou houver vermelhidão ou pus, procure um podologista.

O tratamento da unha encravada dói?

Na maior parte dos casos o tratamento é rápido e bem tolerado. Quando a zona está muito inflamada ou dolorosa, pode ser usada anestesia local para que o procedimento seja feito sem dor. O alívio costuma ser imediato.

Vou ficar sem a unha?

Não. Na maioria das situações retira-se apenas a pequena porção da unha (espícula) que está a ferir a pele. Nos casos recorrentes pode ser indicada uma cirurgia ungueal parcial, que trata só o bordo afetado. A unha mantém o aspeto natural.

Quanto tempo demora a recuperação?

Depois de retirada a espícula, a maioria das pessoas retoma o dia a dia de imediato. Se houver infeção ou for feita cirurgia parcial, a cicatrização completa demora habitualmente entre uma e três semanas, com pensos e consultas de controlo.

Tenho diabetes e uma unha encravada. É mais grave?

Pode ser. Com diabetes, uma pequena ferida no pé pode infetar e demorar a cicatrizar, por vezes sem dar dor. Não faça tratamentos caseiros e procure observação o mais cedo possível. Saiba mais sobre cuidados ao pé diabético.

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