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Unha encravada: o que pode (e não deve) fazer em casa

Quando o canto da unha começa a doer, a tentação é resolver logo ali, com a tesoura da casa de banho. Explicamos o que ajuda, o que piora e quando é melhor pedir ajuda.

Por Dra. Liliana Lage Pinto, podologista ·

A unha encravada é um dos motivos mais comuns de consulta de podologia. Muitas pessoas chegam até nós depois de vários dias (ou semanas) a tentar resolver o problema sozinhas. Algumas dessas tentativas ajudam; outras transformam um incómodo simples numa infeção. Neste artigo partilhamos o que, na nossa experiência, faz sentido fazer em casa e onde está o limite.

Primeiro: em que fase está a sua unha?

Antes de fazer qualquer coisa, olhe com atenção para o dedo. A unha encravada costuma passar por três fases:

  • Inicial: dor ao calçar ou ao pressionar o canto da unha, com ligeira vermelhidão. Ainda não há pus.
  • Inflamada ou infetada: a pele está quente, inchada e brilhante; pode haver pus, mau odor ou dor a latejar.
  • Crónica: cresce um tecido vermelho e saliente sobre a unha (tecido de granulação), que sangra com facilidade.

Os cuidados caseiros só fazem sentido na fase inicial. Nas outras duas, o melhor que pode fazer é proteger a zona e marcar consulta.

O que pode fazer em casa

Banhos de água morna

Mergulhar o pé em água morna durante 10 a 15 minutos, uma ou duas vezes por dia, ajuda a amolecer a pele e alivia a pressão. Pode juntar um pouco de sal. No fim, seque muito bem, sobretudo entre os dedos.

Calçado com espaço

Nos dias seguintes, prefira sapatos largos à frente, sandálias abertas ou chinelos em casa. Muitas vezes, só tirar a pressão do sapato já faz a dor diminuir bastante.

Higiene e proteção

Mantenha a zona limpa e seca. Se a pele estiver irritada, pode aplicar um antisséptico de venda livre e proteger com uma compressa leve, sem apertar.

Deixar a unha crescer

Evite cortar a unha nesse dedo enquanto estiver dorida. A unha precisa de crescer para lá do bordo da pele para deixar de a ferir.

Regra prática: se ao fim de dois ou três dias destes cuidados a dor não melhorou, não insista. O problema raramente se resolve sozinho depois disso.

O que não deve fazer

Estes são os erros que mais vemos na consulta e que costumam agravar a situação:

  • Cortar o canto da unha em bico. Parece aliviar no momento, mas deixa uma ponta escondida que continua a crescer para dentro da pele. É a principal razão pela qual a unha volta a encravar.
  • Escavar com tesouras, alicates ou limas metálicas. Além de fazer feridas, estes instrumentos raramente estão esterilizados e podem levar a uma infeção.
  • Rebentar ou espremer pus. Pode empurrar a infeção para os tecidos mais profundos.
  • Forçar algodão ou fio dental por baixo de uma unha já inflamada. Aumenta a dor e a pressão sobre a ferida.
  • Usar produtos “milagrosos” ou cáusticos sem indicação. Alguns podem queimar a pele à volta da unha.
  • Começar antibiótico por conta própria. Mesmo quando há infeção, o antibiótico não resolve a causa: enquanto o fragmento de unha estiver espetado na pele, o problema volta.

Quando ir ao podologista

Marque consulta se notar algum destes sinais:

  • Dor que não melhora ao fim de dois ou três dias;
  • Pus, mau odor ou vermelhidão a alastrar;
  • Tecido vermelho a crescer sobre a unha;
  • Já é a segunda ou terceira vez que a mesma unha encrava;
  • Tem diabetes, problemas de circulação, toma anticoagulantes ou tem as defesas diminuídas.

Se tiver diabetes, não faça tratamentos caseiros a uma unha encravada. Uma pequena ferida pode infetar sem dar muita dor. Leia também o nosso guia de cuidados ao pé diabético. Febre ou vermelhidão a subir pelo pé exigem observação médica no próprio dia.

O que acontece na consulta

Na consulta começamos por perceber há quanto tempo dura o problema e o que já foi feito. Observamos a unha, a pele e o calçado. Depois, com instrumentos esterilizados, retiramos o pequeno fragmento de unha (a espícula) que está a ferir a pele. Na maioria dos casos o alívio é imediato. Se a zona estiver muito sensível, pode ser usada anestesia local.

Quando a unha tem tendência a encravar repetidamente, falamos consigo sobre soluções mais duradouras: técnicas de reeducação da unha ou, em casos selecionados, uma pequena cirurgia que trata só o bordo afetado. Explicamos tudo em detalhe na página sobre o tratamento da unha encravada.

Como evitar que volte a acontecer

  • Corte as unhas a direito e não demasiado curtas: a unha deve acompanhar a ponta do dedo.
  • Suavize as arestas com uma lima em vez de cortar os cantos.
  • Escolha calçado com espaço para os dedos, sobretudo para desporto.
  • Se tiver unhas muito curvas, grossas ou dificuldade em chegar aos pés, considere fazer o corte regularmente no podologista. É um dos cuidados incluídos na quiropodia.

Nas crianças e adolescentes, a unha encravada é muito frequente durante as fases de crescimento e com o desporto. Vale a pena ensinar cedo a forma correta de cortar as unhas e, se o problema se repetir, consultar a podologia infantil.

Tem uma unha a doer há mais de uns dias? Não espere que piore: deixe-nos o seu pedido e entramos em contacto para encontrar o melhor dia e local para si. Pedir marcação

Perguntas frequentes

Posso cortar o canto da unha encravada?

Não é recomendado. Cortar o canto em bico deixa um fragmento escondido que continua a crescer para dentro da pele, e a ferida que se cria facilita a infeção. A remoção deve ser feita com instrumentos esterilizados, por um profissional.

Algodão debaixo da unha resolve?

Em fases muito iniciais, um pequeno pedaço de algodão limpo pode afastar ligeiramente a unha da pele. Mas se já houver inflamação ou pus, não deve forçar nada por baixo da unha, porque pode agravar a ferida.

Quanto tempo posso esperar antes de ir ao podologista?

Se ao fim de dois ou três dias de cuidados simples a dor não melhorar, ou se aparecer vermelhidão a alastrar, pus ou “carne” a crescer, está na altura de marcar consulta. Com diabetes ou má circulação, não espere.

Os seus pés em boas mãos

Diga-nos o que precisa. Entramos em contacto consigo assim que possível para combinar dia, hora e local.

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