“É normal ele andar assim?” É uma das perguntas que mais ouvimos de pais e avós. O pé de uma criança não é um pé de adulto em miniatura: os ossos ainda estão a formar-se, os ligamentos são mais flexíveis e a forma de andar vai mudando ao longo dos anos. Por isso, muito do que parece estranho é apenas uma fase. Mas há sinais que justificam uma avaliação, e quanto mais cedo, mais simples costuma ser a orientação.
O que é normal em cada idade
Primeiros passos (cerca de 1 a 2 anos)
A criança anda com as pernas afastadas, os braços no ar e cai com frequência. O pé parece plano, em parte por causa de uma almofada de gordura na planta. Tudo isto é esperado.
Dos 2 aos 6 anos
É comum os joelhos parecerem “para fora” e, mais tarde, “para dentro”. A arcada do pé vai-se formando aos poucos. Algumas crianças andam com os pés ligeiramente virados para dentro ou para fora, o que muitas vezes melhora com o tempo.
A partir dos 6–7 anos
A marcha aproxima-se da do adulto. A partir daqui, alterações que persistam ou que causem queixas merecem mais atenção.
Calçado nos primeiros anos: em casa, andar descalço (em segurança) ajuda a desenvolver os músculos do pé. Fora de casa, prefira sapatos leves, flexíveis na zona dos dedos, com espaço à frente e que fiquem bem presos ao pé.
Sinais para marcar uma avaliação
- Dor nos pés, tornozelos, joelhos ou “nas pernas” ao fim do dia, sobretudo se acorda a criança ou a faz parar de brincar;
- Quedas ou tropeções frequentes para a idade, ou cansaço rápido a caminhar;
- Andar em bicos de pés de forma persistente depois dos 3 anos;
- Pés muito virados para dentro ou para fora que não melhoram ou pioram com o crescimento;
- Pé plano rígido, ou pé plano que dá dor ou cansaço;
- Diferença visível entre os dois pés ou pernas;
- Desgaste muito irregular do calçado, sempre do mesmo lado;
- Dor no calcanhar em crianças que fazem desporto, especialmente entre os 8 e os 14 anos;
- Unhas encravadas, verrugas ou micoses que não melhoram.
Problemas comuns nos pés das crianças e adolescentes
Pé plano
Na maioria das crianças pequenas é flexível e não causa queixas. Avaliamos se a arcada aparece quando a criança se põe em pontas dos pés, se há dor e como evolui. Só uma parte dos casos precisa de intervenção.
Dor no calcanhar
Muito frequente em crianças ativas, sobretudo nas fases de crescimento rápido. Costuma estar relacionada com a zona de crescimento do calcanhar e com o impacto do desporto. Com ajustes no calçado, na atividade e, por vezes, palmilhas, melhora bastante.
Unhas encravadas
Muito comuns em adolescentes, por causa do corte das unhas, do calçado desportivo e da transpiração. Explicamos o tratamento na página da unha encravada.
Verrugas plantares
As crianças apanham-nas com facilidade em piscinas e balneários. Saiba como as distinguir de calos no nosso artigo sobre calo ou verruga plantar e na página das verrugas plantares.
Como é a consulta de podologia infantil
A consulta é feita com calma e, sempre que possível, como uma brincadeira. Começamos por conversar com os pais sobre o desenvolvimento, quedas, queixas e atividades da criança. Observamos os pés em repouso e em movimento (a andar, a correr, em bicos de pés e nos calcanhares), a postura, os joelhos e o calçado.
No fim, explicamos o que vimos e o que é esperado para a idade. Em muitos casos, a orientação passa só por calçado adequado, exercícios simples e uma reavaliação mais tarde. Quando necessário, podemos indicar palmilhas por medida ou articular com o pediatra, ortopedista ou fisioterapeuta.
Se a criança começar subitamente a coxear, tiver dor com inchaço, vermelhidão ou febre, ou recusar apoiar o pé, procure avaliação médica no próprio dia.
Pode saber mais sobre a nossa abordagem na página de podologia infantil, uma área em que a Dra. Liliana tem formação de mestrado.
Tem dúvidas sobre os pés do seu filho ou filha? Uma avaliação tranquiliza e orienta. Deixe-nos o seu pedido. Pedir marcação